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A POSSE III – Por Ênio Fontenelle

Desfile em carro aberto. O nosso Capitão foi esfaqueado covardemente durante a campanha presidencial.
Deus o poupou, devolveu-o a nós.
A recordação mais marcante que a História nos traz sobre o perigo de desfile em carro aberto foi o assassinato do Presidente Kennedy, nos Estados Unidos, e as imagens inesquecíveis do desespero da mulher, Jacqueline, buscando juntar os destroços do cérebro dilacerado de seu marido.
Seguramente, a imagem de Kennedy esteve presente no imaginário de todos quantos se alarmaram com a perspectiva de ver ocorrer o mesmo com o nosso Presidente, reforçada pelo fato real do atentado em Juiz de Fora.
O dia da posse chegou, e o Presidente decidiu pelo desfile em carro aberto.
Eu não posso deixar de comparar Dallas com Brasília.
O percurso, em Dallas, foi no caldeirão de uma cidade densamente povoada, em ruas cercadas de prédios altos e numerosos, tornando inviável a sua desocupação por questões de segurança.
Em Brasília… Não.
O percurso entre a Catedral e o Congresso, assim como entre o Congresso e o Palácio da Alvorada, não contém prédios outros que não os próprios prédios governamentais, cujos ocupantes foram obrigados, por questões de segurança, a desocupar desde antes da cerimônia de posse, facilitando não só a varredura, como a vigilância.
Dessa forma, a decisão do Presidente de desfilar em carro aberto, tendo ao lado a Primeira Dama, permitiu-lhe passar duas mensagens importantes, ambas com enorme carga de simbolismo:
Por um lado, ele conseguiu demonstrar ao povo a sua postura de guerreiro, corajoso e audaz, capaz de arriscar a própria vida na defesa da nação.
Por outro, enviar uma mensagem clara de confiança nos militares, responsáveis últimos pela sua segurança.
São Pedro também ajudou bastante, pois uma chuva desmontaria o palco onde os atores desempenhariam os respectivos papéis.
O desfile em carro aberto foi, portanto, uma sábia decisão do nosso Presidente.


Entender de Geopolítica é como jogar xadrez com a expertise de quem consegue prever cinco jogadas à frente. Isso que a gente entende como Política é a apresentação e análise dos fatos sociais e econômicos que nos envolvem em nosso tempo. Passar da Política para a Geopolítica é poder observar os fatos de cima da ponte, onde é possível ver de onde vieram e – principalmente – para onde vão.

A Geopolítica é necessária exatamente por isso: ela lhe permite não apenas VER, mas ANTEVER.

 

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