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Pequena história da subversão e da espionagem – Parte 1 de 10 – por Félix Maier. 

No programa do “Fantástico” de 27/11/2005, da TV Globo, nada foi informado sobre a Intentona Comunista, que naquele dia completava 70 anos. Ironicamente, porém, a emissora apresentou a figura de um antigo general da KGB, Oleg Kalugin, que discorreu sobre vários assuntos, como a guerra da informação, ou melhor, da desinformação, promovida durante a Guerra Fria pelos soviéticos para desmoralizar os EUA, e o famigerado “ouro de Moscou” distribuído aos Partidos Comunistas do mundo inteiro, milhões de dólares que também ajudaram a promover o levante de 1935 no Brasil.“Os líderes comunistas sempre procuraram criar situações revolucionárias.

Lenin favorecia a agitação para conseguir seus objetivos de domínio mundial do comunismo, e Trotsky pregava providências ainda mais militantes. Foi, no entanto, Stalin quem preferiu treinar um exército de subversivos clandestinos que se infiltrariam nas democracias para destruí-las de dentro para fora… a perigosa quinta-coluna” (Hutton, in “Os subversivos”, pg. 9).A seguir, serão apresentadas algumas das táticas e estratégias utilizadas por Moscou para conquistar corações e mentes em todo o mundo, utilizando-se dos estratagemas mais sórdidos que se possa imaginar, em seu plano de conquista do mundo Ocidental.Instituto 631Durante toda a década de 1950, o Instituto 631, com sede em Moscou, através de suas redes apoiadas pelos Partidos Comunistas no mundo inteiro, tudo fazia para desorganizar a vida nas democracias ocidentais.

Enquanto isso, os mestres subversivos profissionais russos submetiam-se a treinamento nas suas várias Escolas de Espionagem.A seleção e o treinamento desses agentes especiais começaram no princípio da primavera de 1948 (início da Guerra Fria), logo depois que Stalin resolveu criar duas forças separadas de subversivos clandestinos. Controlada pelo Kominform, a “quinta-coluna vermelha” era comandada por Mikhail Suslov, que passava instruções em código para os chefes dos Partidos Comunistas do mundo inteiro, a partir de Pankov (Distrito da então Berlim Oriental), mas com escritório central em Moscou.No XXII Congresso do PCUS, Luis Carlos Prestes encontrou-se com Nikita Kruschev e Mikhail Suslov, para planejar uma revolução agrária no Brasil. Em janeiro de 1964, Luis Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar contas dos últimos trabalhos do PCB, desenvolvidos à luz da estratégia traçada por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, além de Kruschev, Mikhail Suslov (ideólogo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secretário do Comitê Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do Departamento de Relações Internacionais.

Naquela ocasião, Prestes afirmou: “A escalada pacífica dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América Latina. (…) oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a ante-sala do socialismo. (…) … uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução nacional-democrática em socialista.” Segundo Luís Mir, in “A Revolução Impossível”, “A exemplo de 1935, a revolução deveria começar novamente, pelos quartéis” (Cfr. Del Nero, in “A Grande Mentira”, pg. 121). (1)Antes da criação do Instituto 631, houve, no Brasil, a primeira tentativa comunista de assalto, em 1935, no levante conhecido como “Intentona Comunista”, iniciada em Natal, RN, no dia 23 de novembro de 1935, e que se estendeu ao Recife e ao Rio de Janeiro, e foi sufocada 5 dias depois.

O Komintern enviou agentes de Moscou para promover o levante, incluindo o brasileiro Luis Carlos Prestes e sua “esposa” Olga Benário –típico exemplo de “estória-cobertura” (2). A Intentona matou 33 militares brasileiros e mais de 1000 civis.Falsificação de PankovOs quadros subversivos do Instituto 631, além da rede clandestina no mundo inteiro, falsificavam dinheiro e documentos em Pankov, distrito da então Berlim Oriental.

Agentes soviéticos ludibriaram, durante algum tempo, as Forças Armadas da Alemanha Ocidental, forjando ordens de convocação e desmobilização.Operação carta de amor perfumadaOs falsificadores do Instituto 631 conseguiam nomes e endereços de integrantes das Forças Armadas da Alemanha Ocidental e então usavam mulheres para escrever centenas de cartas de amor em papel perfumado e redigidas de modo a não deixar dúvidas quanto aos laços íntimos entre a mulher que escrevia e o homem que recebia. Os falsários conseguiam fazer entregar as cartas nos horários em que o marido estava no serviço, ocasião em que muitas mulheres caíam na armadilha e abandonavam o lar .Códigos Venona revelaram a extensão da espionagem soviética nos EUA durante a década de 1950, que era muito maior do que supunha o senador McCarthy.

 

A base do macartismo surgiu com uma lei de 1950, que exigia o registro de todas as organizações ou simpatizantes do Comunismo. A perseguição atingiu cerca de 6 milhões de norte-americanos, destacando-se o casal Ethel e Julius Rosenberg, acusados de passar o segredo da bomba atômica aos soviéticos e executados em 1953 numa câmara de gás. Na década de 1950, foi instalada nos EUA a Comissão de Atividades Antiamericanas, presidida pelo senador Joseph McCarthy. O alvo era principalmente os comunistas, infiltrados no Governo, nos sindicatos, nas universidades e até em Hollywood. Houve uma “lista negra”, da qual não escaparam nomes como Charles Chaplin, Orson Welles e Bertold Brecht, que tiveram que se exilar. Umas 300 pessoas foram impedidas de trabalhar no teatro e no cinema. Muitos intelectuais passaram a assinar seus trabalhos com pseudônimos.

 

Apesar dos excessos da Comissão, a infiltração comunista nos EUA foi muito maior do que imaginava o próprio McCarthy, como comprovariam documentos posteriormente acessíveis em Moscou –os Códigos Venona.“(…) Na noite de 5 de outubro de 1945, 1.500 piqueteiros, atendendo à convocação de uma central sindical comandada pelo Partido Comunista, cercaram os estúdios da Warner, em Burbank, Califórnia. O ator Kirk Douglas viu-os aproximar-se, armados de ‘facas, porretes, fios de aço, socos-ingleses, correntes’, e ocupar os quarteirões em torno. Ao chegar para o trabalho, os empregados foram impedidos de atravessar o portão, cujos guardas tinham sido surrados e dominados pelos grevistas. ‘Nem você nem nenhum outro f. da p. vai entrar aí hoje’, informou ao coreógrafo LeRoy Prinz o líder comunista Herb Sorrell, celebrizado com o apelido de ‘Generalíssimo’. Prinz, um veterano de guerra, respondeu: ‘Sr. Sorrell, nem você nem nenhum outro f. da p. vai me impedir de entrar’. Entrou, mas não antes de ser surrado por uma dúzia de capangas de Sorrell diante dos olhos da polícia que, em desvantagem numérica, temia interferir. A maioria dos empregados não se deixou intimidar e alguns conseguiram saltar os muros. As tropas de Sorrell então partiram para a agressão generalizada.

 

No fim dos combates, o serviço médico relatou ter atendido 89 empregados da Warner, quatro policiais, três bombeiros, o representante de um sindicato contrário à greve –e apenas seis piqueteiros. Não obstante, nos dias seguintes as manchetes do jornal pró-comunista Hollywood Atom alardeavam: ‘Uma garota e um veterano torturados pela Gestapo dos estúdios Warner’, ‘Camisas-pardas da polícia transbordam de violência’, ‘Warner instala campos de tortura nazistas’. (…) O sucesso da investida contra a Warner deu a Sorrell a oportunidade de expandir o domínio comunista para muito além da luta sindical: nos anos seguintes, com a ajuda de John Howard Lawson, Ring Lardner Jr. e outros devotos, ele montou um sistema de fiscalização dos roteiros apresentados a Hollywood, para proibir que chegassem a ser filmados aqueles que não tivessem a porção desejada de ideologia comunista e antiamericanismo. A cota podia até ser modesta, mas não devia faltar. Segundo a orientação do espertíssimo Lawson, mensagens isoladas, espalhadas aqui e ali em milhares de filmes aparentemente inocentes, funcionavam mais do que um só filme ostensivamente comunista –uma regra que foi copiada no Brasil e ainda prevalece nas nossas novelas de tevê.

 

— Continua

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